Ah, o trânsito…

Acontecimento verídico número 1:

Entro num elevador. Dois rapazes conversando:

Rapaz 1: … as pessoas são tão mal educadas no trânsito que eu não dou mais sinal para trocar de pista. Quando a gente dá sinal, a pessoa da pista do lado acelera pra não te deixar passar…

Rapaz 2 ri e concorda.

Eu concordo mentalmente, apesar de continuar dando o pisca.

Acontecimento verídico número 2:

O trânsito está em um dos piores momentos do dia, pouco depois das seis da tarde de uma segunda-feira. No engarrafamento, vejo um carro se aproximando meio doido e sem dar o pisca e prevejo que vai se enfiar na minha frente. Previsão correta. Aguardo então gentilmente e deixo espaço para a criatura afoita passar. Ele segue na minha frente e, logo mais, outro motorista, educadamente – dando pisca -> fazendo certinho pela janela -> indo devagar -> dando sinal de fumaça – pede passagem ao afoito. O afoito fica espremendo o motorista educado, sem querer dar passagem. Aí eu começo a duvidar se o “Gentileza gera gentileza” se aplica a todas as pessoas.

Acontecimento verídico número 3:

Estou saindo de um estacionamento. Num lugar onde não se deve parar, um carro estacionado, esperando alguém. Aí minha visão da rua fica bloqueada e tenho que avançar mais do que seria o normal para decidir se posso ou não seguir. Com isso, acabo bloqueando a saída do carro esperando alguém. Acontece que esse alguém tinha chegado nesse meio tempo. O motorista do carro em questão agita os braços de dentro de seu veículo para demonstrar o quanto está insatisfeito com a minha pessoa. Apenas observo, fingindo que não é comigo, enquanto aguardo a oportunidade de passar.

Esse último acontecimento me lembrou dos comentaristas raivosos/grosseiros/odiosos da internet. Dentro de seus perfis (ou de seus carros) é onde essas pessoas se sentem seguras para soltar sua raiva e sua falta de gentileza, como talvez (TALVEZ) não façam em outras situações.

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Não seja

Eu já escrevi sobre a minha dificuldade com a direção (aqui). Mal sabia eu que dirigir não era nada perto de conviver com buzinadas desnecessárias, pedestres que atravessam a rua olhando para o celular ou o sentimento de que todo mundo tá-sempre-com-muita-pressa-para-tudo-porque-o-mundo-já-vai-acabar. Mal sabia eu. Mas segue a vida, mesmo sem dar pisca às vezes.

Mais menos

 

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Aconteceu…

Eu dirigi na Freeway. No final das contas, não é nada de outro mundo…

Ieeeiiiiihhhhh \o/

Tudo começou quando eu tinha uns 20 anos e resolvi tirar a carteira de motorista. Até aí nada de novo, massss, no final das contas a experiência da autoescola foi um pouco traumatizante. Eu não era a pessoa com a maior facilidade do mundo, e tive o azar de me colocarem com um instrutor não muito paciente (até hoje me pergunto por que eu não troquei de instrutor). Aí o processo foi complicado: três reprovações no exame, muita frustração e muito dinheiro gasto. Depois da terceira prova sem passar, decidi dar um tempo. Iria tentar de novo a prova só quando estivesse certa da aprovação. Neste meio tempo, resolvi conversar com uma psicóloga sobre o meu drama – o que, aliás, ajudou bastante. Então, quase nas vésperas de vencer o meu prazo e ter que fazer tudo de novo (incluindo aulas teóricas), eu voltei pro CFC. Fiz mais algumas aulas com outro instrutor, agendei a prova e voilà, passei!
Muppets

Finalmente a CNH!!!

Foi então que começou o segundo drama: eu não tinha coragem de dirigir. Eu queria dirigir, eu tentava, mas ficava muito nervosa cada vez que ia pra direção. Coração acelerado, pernas bambas, e por aí vai. Tentei algumas vezes até que desisti de tentar; era mais forte que eu. O mais engraçado de tudo isso era que qualquer pessoa que ficava sabendo do meu “causo” vinha me falar, ingênua e bem intencionadamente: “Ah, pra mas perder o medo é só dirigindo mesmo”, “Tem que dirigir senão nunca vai pegar a prática”,  “Se não começar a dirigir logo, vai esquecer”, etc, etc, etc. Ah se fosse fácil assim… Só vai entender quem já sofreu ou sofre de algum medo que parece bobagem para o resto da humanidade.
barney

Minha gente, não riam dos amigos medrosos.

Aí dirigir tornou-se pra mim a ideia de uma coisa inatingível: eu conseguia, por exemplo, me imaginar indo da Terra à Lua em uma expedição espacial, mas não conseguia nem vislumbrar a possibilidade de ir ao trabalho dirigindo – é sééério! E foi assim por alguns anos. O sentimento era de derrota cada vez que eu via pessoas mais novas do que eu dirigindo. Ao mesmo tempo, via pessoas que não dirigiam, que não queriam dirigir – pelos mais variados motivos – e eram felizes assim. Mas o meu caso era bem diferente, porque eu queria muito dirigir.
Todo mundo dirigia, menos eu :-(

Todo mundo dirigia, menos eu 😦

Foi então que por muito acaso li uma matéria sobre medo de dirigir. Nela tinha o depoimento de um instrutor de trânsito que trabalhava somente com pessoas com o mesmo problema que eu. Guardei o contato. E no final de 2013 agendei a primeira aula. Depois de mais ou menos três meses, com aulas semanais, eu estava indo trabalhar de carro. O milagre aconteceu!
Finalmente dirigindo de verdade!

Finalmente dirigindo de verdade!

Mas faltava dirigir na Freeway. Faltava.
O que levo desta experiência (1): se eu quero realmente alguma coisa e me empenho para que ela aconteça, ela acontece (salvo exceções, como comprar uma ilha, ou ser rainha da Inglaterra). É uma lógica muito clichê, mas muito verdadeira.
O que levo desta experiência (2): para o medo que for, se ele incomoda, há meios de eliminá-lo ou de conviver bem com ele. Eu ainda tenho um pouquinho de medo de dirigir, mas ele não mais me paralisa.
Fear

Você pode não se livrar dos seus medos… Mas pode aprender a viver com eles

  • Dirigir na Freeway. 

Caso mais alguém aí tenha medo de dirigir, o site do instrutor é este.